Carnatal, muitas histórias

Ricardo Valério Costa Menezes, brasileiro, 52 anos, economista e atual Coordenador do setor de Comunicação e Eventos da SAPE no Governo do Estado, acompanhou de perto os dezoito anos de trajetória do Carnatal, atuando tanto na produção do evento quanto na direção de bloco.   

Casado atualmente com a uruguaia Carolina Outeda Lacuesta e pai de três filhos do casamento anterior (Ricardo, Gabriella e Matheus) que são suas grandes paixões, ele se considera extremamente amigo, fiel e solidário, adora esporte, praia, cinema e uma boa leitura, além de promover eventos e jogar tênis com amigos. Confira a entrevista!

Quais os momentos mais marcantes vividos por você no Carnatal ao longo dos anos?
Quando olhamos pelo retrovisor da vida, as recordações são infinitas e intensas. Desde o nascimento dos filhos, as conquistas profissionais e pessoais, até mesmo as vitórias políticas ou do time de coração, todas têm o seu valor e a sua importância no acervo de formação de nossa história de vida. E entre as muitas experiências especiais vividas por mim, destaco com todo carinho a participação no Carnatal, desde o seu início, ainda na antiga Praça Pedro Velho, atuando a princípio na produção do evento e posteriormente como diretor de bloco.

Naquela época o Carnatal ainda estava se consolidando e os preparativos começavam praticamente no início do ano seguinte. Hoje, graças a experiência da Destaque Promoções, liderada por Ricardo, Roberto, Paulinho e Gustavo, o Carnatal atingiu a maioridade, sendo considerado o maior carnaval fora de época do país.

Quais os maiores desafios enfrentados por vocês ao longo de sua participação no Carnatal?
Fazer um evento com a dimensão e grandeza do Carnatal é como ter que enfrentar um leão todo dia. Viabilizar bons patrocinadores, atender as exigências do Ministério Público, aprimorar a qualidade das atrações, garantir a segurança dos foliões são, entre outros, os maiores desafios enfrentados por aqueles que contribuem com a realização do Carnatal.

Como surgiu a idéia de lançar o primeiro bloco com uma atração artística local?
A diretoria da Destaque, contando com o meu apoio e dos empresários Figueiredo e Marcílio, devido ao enorme sucesso que a Banda Xodó já fazia nos anos 90, no carnaval de Pirangi, vislumbrou a oportunidade de valorizar os artistas da terra, abrindo espaço para o lançamento do bloco "Meu Xodó" em 1995.

A idéia inicial era lançar o bloco em 1996, porém estávamos muito empolgados e resolvemos enfrentar o desafio de lançar o bloco a menos de 21 dias do início do Carnatal. Foi uma corrida contra o tempo, mas graças a Deus, fomos bem sucedidos e as 3.500 credenciais foram comercializadas em apenas dez dias, um recorde na história do evento. 

Outro fator importante no lançamento do bloco foi a desmistificação de que o Carnatal era destinado à elite. Com um bloco com atração local, reduzimos os custos, abrindo novas perspectivas e permitindo que a maioria dos cidadãos tivessem condições de brincar o Carnatal com preços mais acessíveis.

Qual a situação mais inusitada vivida por você no Carnatal?
Entre muitas situações inusitadas vividas por mim, o que mais me marcou foi a coragem de ter assumido em parceria com a Destaque, a volta da cantora Ivete Sangalo ao Carnatal em 1996. No primeiro dia de apresentação dela, o trio apresentou problemas para entrar na avenida, e tivemos que colocar o cantor Capilé para substituí-la.

Para compensar os foliões que estavam loucos para vê-la na avenida, assumimos todos os custos em parceria com a Destaque, e Ivete levou a multidão de foliões ao delírio, fazendo todos esquecerem o mal estar ocorrido na sexta-feira, no encerramento no domingo do Carnatal, consolidando de forma definitiva seu nome junto ao público potiguar.

Quais as suas expectativas para as próximas edições do evento?
Que  o Carnatal continue melhorando a sua segurança como ocorreu no ano passado, com a implantação do sistema de monitoramento por câmeras. Também seria interessante que os abadás se tornassem temáticos, divulgando as riquezas e potencialidades do nosso Estado.
 
Em relação às atrações artísticas, gostaria de ver o mix dos ritmos, avançando um pouco mais, pela enorme diversidade musical e cultural do nosso país. Talvez um bloco transformando o corredor da folia num grande arraiá junino puxado, por exemplo, por Dominguinhos ou a musicalidade de uma Roberta Sá ou ainda uma grande balada animada pelo Skank no encerramento do Carnatal no corredor da folia em 2008.





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