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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010.

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Calouros devem explorar espaço universitário

Depois de mais de uma década de estudos baseada em horários rígidos e atividades impostas, o estudante do Ensino Médio, quando chega à faculdade, ganha autonomia num universo muito mais amplo. A liberdade inerente à vida universitária traz consigo a necessidade de iniciativa. Ninguém fará a apresentação formal de cada parte do campus e nem obrigará os estudantes a participar de todas as atividades potencialmente úteis para seu desenvolvimento. Por isso, nessa etapa, aumenta a importância de tomar a iniciativa para aprender e conhecer pessoas e lugares.

Verônica Brayner, coordenadora-geral de graduação da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco) afirma que, ao entrar na faculdade, o estudante tem de tomar consciência de que começa sua carreira. "A preparação profissional superior contempla um conjunto de elementos que formam um profissional mais maduro, com perspectiva geral de diversas áreas", declara ela, que acrescenta que o aprendizado extrapola a sala de aula e aumenta a importância das relações sociais.

Na opinião de Fernanda Vieira Silva, coordenadora do Departamento de Ingresso e Registro da UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul), o ensino na graduação é teórico e só tem serventia se aliada à prática. E ela destaca que para que isso aconteça o estudante precisa "correr atrás". "Dentro da sala de aula ele não vai ver nem 10% do que precisa para ser um bom profissional. Muita coisa só é aprendida na prática. E, para isso, tem de saber se relacionar com as pessoas. É assim que ele vai viver sua história na faculdade", acredita a coordenadora.

Ponto fundamental defendido por Fernanda é o de que para tomar consciência, o estudante precisa deixar de enxergar o ensino como obrigatório e passar a encarar a experiência como algo que deseja, a partir de seu próprio ponto de vista, e não mais o dos outros, sejam eles os pais ou os professores. "Não existe mais o professor indo atrás do aluno. É o aluno que tem de se interessar e pesquisar os assuntos que são do seu interesse", diz a coordenadora.

E essa iniciativa vale para todos os tipos de relação dentro da faculdade, desde o ensino em si até o lazer. E as faculdades, muitas vezes, contam com espaços - geralmente lanchonetes ou pátios - dedicados à integração, para onde os alunos de diversos cursos e mesmo os professores vão durante os intervalos. Na visão de Verônica, o aluno pode aproveitar esses momentos para ter bate-papos mais informais com as pessoas, começar a desenvolver amizades e trocar experiências acadêmicas, profissionais e pessoais.

O contato com os veteranos, geralmente iniciado durante o trote, é útil para promover a troca de informações sobre o próprio curso sob o olhar de quem já vivenciou as situações pelas quais o calouro ainda passará. O objetivo principal do trote - que não pode provocar nenhum tipo de constrangimento moral ou dano físico ao calouro e que deve respeitar os que não querem participar - é promover a integração.

Além de contatos, o estudante recém-chegado à universidade pode deixar de aproveitar uma série de oportunidades se resolver ficar apenas enfurnado na sala de aula. Geralmente, os laboratórios e monitorias não saem a cata dos estudantes, participar deles depende da iniciativa dos calouros. Outros locais que costumam ser freqüentados pelos estudantes e que guardam boas oportunidades de contatos e interação estão a Atlética e o Diretório Acadêmico, que têm acesso livre para os alunos novos. Esses espaços concentram informações de interesse dos alunos relacionadas a esportes, festas e eventos culturais.